Após muito tempo adormecida por inúmeros motivos, a maioria deles ligados a preconceitos, a hipnose foi tirada da caixa do esquecimento e tem sido apresentada como uma ferramenta eficaz no tratamento de crenças, traumas e fobias. Além disso, a hipnose tem alcançado excelentes resultados no apoio a outras disciplinas terapêuticas e ligadas ao desenvolvimento humano. Importante citar que a hipnose é uma ferramenta, ou seja, um meio de alcançar um resultado esperado relacionado a questões inerentes a mente.

Afinal de contas, o que é hipnose?

A linguagem hipnótica não está presente somente nos consultórios dos hipnotistas, mas é amplamente utilizada em muitos discursos políticos e em propagandas de marketing. Estamos mais familiarizados com a hipnose do que pensamos.

Há várias definições sobre hipnose. A definição que mais gosto é a de James Tripp: O uso da linguagem para gerar uma nova realidade. Uma outra definição é que hipnose é atenção, crença e expectativa (Bernard Gindes). Ou seja, geramos uma expectativa, nos movimentamos em torno de uma crença e geramos um ambiente de expectativa fundamentado no foco e atenção em um único ponto.

Mitos sobre a hipnose:

Devido ao caráter místico abortado por muitos hipnotistas do passado, desenvolveram-se inúmeros mitos relacionados a hipnose. Um dos mais comuns é que a pessoa é controlada ou ficará em um estado de “transe” constante a mercê do seu hipnotista. Em primeiro lugar, vale a pena esclarecer que o dito transe hipnótico não é um estado de adormecimento onde a pessoa fica totalmente desconectada da realidade a sua volta. Ele na verdade é um estado profundo de foco e atenção, inclusive varia de acordo com o grau de suscetibilidade de cada indivíduo. Uma vez que a situação do ambiente a sua volta mude, ou ele mesmo deseje, o estado é rompido. Logo, quem está no controle o tempo todo de uma sessão de hipnose é a pessoa hipnotizada, jamais o hipnotista.  Em segundo lugar, nada acontece em uma sessão de hipnose sem a permissividade do paciente. Costumamos a dizer que o hipnotista através da sugestão é como o GPS de um carro. Ele indica a direção, mas o condutor do automóvel que decide se vai obedecer ou não.

A hipnose faz parte naturalmente do nosso cotidiano. Por exemplo, quando assistimos um filme e nos concentramos tanto em uma cena empolgante a ponto de nos sentirmos dentro dela. Outro exemplo, é a experiência de procurar o celular ou o molho de chaves, e estes já estão em nossas mãos.

Onde atua a hipnose?

A hipnose usa como base o modelo da mende de Gerald Kein. Segundo ele nossa mente é dividida em consciente, subconsciente, e inconsciente como camadas de uma cebola. O inconsciente é a parte interna. Nele opera nosso sistema nervoso autônomo e estão todas as nossas funções autônomas como respiração, batimentos cardíacos e afins. Em nosso subconsciente é onde estão gravadas nossas memórias, hábitos, fobias, emoções etc. Muitos desses são esquecidos com o passar do tempo e modelam nosso comportamento sem percebermos. O consciente é onde acontece a nossa crítica, raciocínio, análise da realidade, força de vontade, atenção. Ele que diz como devemos reagir aos estímulos que recebemos.

Quando o indivíduo entra em estado hipnótico, a intenção é ter acesso ao subconsciente. A profundidade deste acesso depende da permissividade e suscetibilidade de cada indivíduo. Por isso, sempre dizemos que deixar-se hipnotizar é querer e seguir as instruções. Quando o subconsciente é acessado, ele pode vir a ser reprogramado na direção do seu estado desejado.

Duas questões precisam ficar claras aqui: Primeiramente, que a hipnose é uma ferramenta que te ajuda a encontrar a direção de um estado desejado e não necessariamente da cura. A cura é algo que depende muitos fatores, inclusive fisiológicos, que dependem de outros profissionais da saúde. Uma rotina hipnótica para ansiedade, reduz o impacto dessa em nossa mente, consequentemente trazendo mais qualidade de vida, mas não cura a ansiedade.

Em segundo lugar, que a hipnose não pode acessar nada em nossa mente que já não esteja lá. As rotinas hipnóticas acessam estados pré existentes em nossas mentes que contribuam para a pavimentação de um novo estado positivo. Logo, um bom tratamento de hipnose começa com uma profunda anamnese a respeito do estado atual e do estado desejado do paciente.

Quem deve procurar um hipnólogo?

O campo da hipnose é muito vasto. Ele pode contribuir com tratamentos terapêuticos e inclusive questões motivacionais. Atualmente os campos mais procurados são os tratamentos de fobias, ansiedade, emagrecimento, compulsões etc. Entretanto, recentemente fui procurado por um atleta de alto rendimento em busca dos recursos da hipnose para aumentar seu foco e concentração durante a competição.

O tempo de duração de um tratamento de hipnose é variável. Ele depende de fatores, como: O grau de suscetibilidade do paciente, a profundidade do trauma, dos gatilhos que disparam seu trauma e afins.

Em geral, questões mais simples como um leve grau de ansiedade, são tratadas em apenas uma sessão.  Já outras mais complexas entre cinco ou dez sessões.

Cláudio Martins

Especialista em desenvolvimento humano

Gestor

Life e Executive Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching

Hipnoterapeuta pelo Instituto Lucas Naves.